Análise: Machinae Supremacy – A View from the End of the World

Publicado: 14/12/2010 por rafthehay em Análises, Games, Música, Sem categoria
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Pense num olhar incisivo!

Que tal um álbum de metal com chiptune que traz hordas de referências à videogames e cultura de internet, enquanto joga aqui e ali temas abrangentes da sociedade temperados por um estilo de composição e execução do estilo ame ou odeie? Se a descrição soou interessante (ou mesmo se não tiver soado), continue lendo para saber mais sobre o 4º CD de estúdio da banda underground sueca Machinae Supremacy, que chegou aqui na redação semana passada!

A banda

Machinae Supremacy é uma banda de “sid-metal”. Basicamente, isso quer dizer que eles fazem um rock pesado (ok, metal, vai) com um adicional interessante, uma sidstation, instrumento que simula em tempo real os sons do sidchip do Commodore 64. Mas antes que isso faça parecer que a banda é só mais uma no cenário do chiptune, vale dizer que nesse caso não é o instrumento que define o estilo.

A banda surgiu lá em meados de 2000, e conquistou sua popularidade de maneira um tanto diferente: distribuindo músicas de graça pela internet. A combinação internet + gratuito deu muito certo, e em pouco tempo a banda alcançou milhares e milhares de ouvintes pelo mundo todo, ganhando uma certa notoriedade tanto pelas composições próprias quanto pelos covers que iam de músicas de videogame à Mel C. O resultado não poderia ser outro: 4 anos depois, lançaram seu primeiro CD, e o resultado foi bom o bastante para agora os suecos estarem em seu 4º álbum, agora com um contrato de longo prazo pelo finlandesa Spinefarm (que produz os CDs do Nightwish, entre outros). Os caras já tocaram na “Live!” (uma espécie de VGL da Europa), fizeram comerciais para a TV local e possuem dois clipes na prateleira.

Independente dos álbuns, a banda continuou ativa na Internet, seja lançando músicas ou estando em contato com a comunidade de fãs e ouvintes. Isso se reflete muito bem em “A View from the End of the World”, que é praticamente uma homenagem à toda essa geração online.

O álbum

“View” pode ser muito bem dividido em duas partes: uma metade traz músicas que falam de sociedade, de opressão, de religião e, como de praxe, dos EUA. São músicas pesadas, com vocais desesperados e solos a perder de vista, em que a letra traz metáforas dignas de jogo. “Rocket Dragon”, por exemplo, evoca a imagem de um ser poderoso que poderia muito bem ser o último chefe de uma luta, e “Shinigami” parece usar a temática de Death Note e Bleach para tratar de conflitos desnecessários no mundo real. Dessa parte do CD, a música título é o destaque, abrindo o CD com fúria.

Já a segunda metade do CD é uma divertida coleção de músicas com tantas referências a games e internet que é fácil se perder na lista. “Nova Prospekt” e “Persona” fazem claras referências a games já no nome. “Action Girl” é um rock praticamente dedicado à musa Lara Croft, apesar de em sutis referências e musicalidade me lembrar também das heroínas de Cave Story.

“Indiscriminate Murder is Counter-Productive” é talvez a melhor faixa do CD, um rock animado que fala sobre aquilo que todos nós fazemos vez ou outra: matar NPCs nos jogos e com isso deixar de conseguir informações essenciais. Essa faixa completa muito bem a anterior, “Crouching Camper Hidden Sniper”, uma crítica aos jogadores de FPS que só querem saber de balar frags agindo como camper e matando a diversão dos jogos.

Eu poderia passar parágrafos falando das citações que esse álbum faz (até Facebook tem!), mas acho que no caso o melhor a fazer é deixar registrado que as letras são o ponto alto do CD, e merecem uma conferida.

Destaques

A View from the End of the World – Fim do mundo e citação a João e o Pé de Feijão? Pode parecer ridículo, mas consegue ser épico.
Force Feedback – Um hino para os gamers de jogos online, e contra os que não entendem tudo isso
Rocket Dragon – Uma das mais intensas e cativantes
Indiscriminate Murder is Counter-Productive – Os NPCs de Demon’s Souls logo me vem à mente. Já falei dessa, mas repito: é talvez a melhor faixa do CD
The Greatest Show on Earth – Para aqueles que entendem o que significa esse mundo da Internet de que tanto gostamos
Remnant – Um final avassalador e desesperado que mata a pau o CD

Finalizando

Esse álbum é uma boa pedida para quem quer começar a conhecer essa banda (que por sinal é minha preferida, para terror do Gustavo :] ), e procura um som um pouco diferente das bandas de rock atuais. O vocal, acima de tudo, pode ser um complicador para quem não gosta de uma sonoridade mais exótica, mas as letras e as temáticas em geral tornam toda a experiência mais divertida e envolvente. Como um bom jogo!

Pontos positivos:
– Letras muito bem trabalhadas
– Som intenso e explosivo
– Referências à cultura de internet e games

Pontos negativos:
– Falta originalidade nas estruturas das músicas
– Vocal pode afastar alguns
– “Cybergenesis” é uma faixa altamente desnecessária

Conclusão:
– Nem toda música sobre internet e games precisa ser uma paródia, e esse álbum prova isso.

(Crédito da imagem: Machinae Supremacy)

Rafthehay,

(É viciado a ponto de encomendar os CDs da Suécia)

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comentários
  1. Helkem disse:

    Olá,

    Pelo que entendi, a faixa “Force Feedback” pode se aplicar a mim. No segundo sentido, como vc sabe. u.u

    Mas gostei muito do post e, já conhecendo sua paixão pela banda, e após ouvir o albúm, posso dizer que ambos são realmente muito bons: sua análise e a banda.

    Quero ver os próximos.

    Bjos e até mais.

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