Análise: F1 2010

Publicado: 07/10/2010 por rafthehay em Análises, Games
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"Eu vou pra galera!"

Nunca um jogo de Fórmula 1 teve tanto hype antes de seu lançamento. F1 2010 foi a maneira como a consagrada Codemasters entrou para esse seleto mercado que, atendendo a óbvias exigências de mercado, retrata o milionário esporte dando aos gamers a opção de guiar as máquinas mais rápidas do mundo. Como jogador desse tipo de jogo há mais de 15 anos, e com um portfólio de 23 jogos aqui em casa sobre Fórmula 1, decidi testar e ver se todo o hype da Codemasters (que encheu sites como o Kotaku de banners) se justificou. Afinal, F1 2010 é bom?

Os mais velhos ou ligeiramente interessados no assunto devem saber que os simuladores de F1 sempre foram feitos para poucas pessoas. Muitas regras, jogabilidade complexa, corridas longas. Entretanto, uma franquia em especial conquistou fãs hardcore e fãs de jogos de corrida em geral, trata-se da série Grand Prix do aclamado Geoff Crammond. Os jogos da série GP tinham como maior característica a união entre jogabilidade, imersão no mundo das corridas e competividade realista. Você realmente se sentia lutando por uma posição por voltas a fio, contando os décimos que o separavam de seus rivais e melhorando um pouco a cada volta. A noção de controle, o domínio da máquina, a sensação de estar num GP é até hoje inigualável. Não é à toa que a galera da Codemasters teve como objetivo número 1 criar o sucessor espiritual de GP4, que já tem seus 8 anos de estrada.

Grand Prix 4: o jogo que F1 2010 teve como meta superar.

Para isso, os Codies abriram mão da simulação extremamente hardcore e investiram num ambiente de carreira que você já viu em GRID, DiRT e cia. Você conhece o esquema. Tem seu trailer, tem a sua agente que fala de vez em quando, tem palavras flutuantes como menus… e claro, uma vez entrando na corrida, as coisas atingem o ápice do “Next-gen”.

A parte audiovisual de F1 2010 é simplesmente fantástica. Os efeitos de chuva, o reflexo do sol, o som dos motores, tudo está lá muito bonito e fluente (testei a versão de PS3). Todos os carros, pistas, incluindo a corrida noturna de Marina Bay e a pista nova de Yeongam, na Coreia do Sul. Músicas ambiente dão o tom e fogem do rock típico dos outros jogos de corrida. Por fim, a modelagem dos carros e pessoas é tão perfeita que é possível ver a perna do piloto se mexendo dentro do cockpit quando ele acelera o carro. Não falta nada. Falta?

Tony Stark, cuidado!!!

Faltou fazer um jogo que possa ser jogado. F1 2010 possui uma horda de bugs, alguns deles extremamente críticos, como excesso de pneus furados, AI que não faz paradas (obrigatórias em toda corrida) jogos salvos que são corrompidos. Além disso, jogadores que não dispõem de um volante de última geração (os antigos não funcionam) não conseguirão se divertir jogando no controle.

Reuni alguns amigos que já jogaram vários jogos de corrida, e eles simplesmente não conseguiam completar as voltas, tão ruim é a maneira como o jogo interpreta os comandos do DualShock 3. Excesso de sensibilidade, falta de precisão em curvas, freio que trava mesmo com ABS ligado (recurso essencial quando não se joga com pedais), a lista segue.

Eu mesmo tive grandes dificuldades, e ao fim de uma corrida temi estar desenvolvendo uma DORT. E olha que já joguei muitos jogos do gênero, com e sem volante, e em nenhum deles me senti tão desconfortável e fora de controle como nesse jogo. Inclusive, F1 2005 da Studio Liverpool, para PS2, utilizava o mesmo controle e conseguia ser muito mais jogável, apesar de pecar em outros aspectos.

Outros problemas menores incluem a AI bipolar (que a qualquer momento pode ter um ataque epiléptico na sua frente), os tempos de volta de treino incompatíveis com a dificuldade (meu amigo não conseguiu sair de último no treino mesmo no nível mais fácil), ausência de split-screen, e falta de imersão dentro das sessões de corrida. Quem jogou GP4 se lembra de terminar uma volta de treino, voltar calmo para os boxes, depois ver na TV seus rivais correndo enquanto ouve ao fundo o som da chuva batendo do lado de fora. Experiência sem igual.

F1 2010 teve tudo para ser um retorno consagrado da categoria aos videogames. Contou com um grande hype, recebeu ótimos reviews de pessoas que parecem ter jogado por pouco tempo e com equipamentos que poucos de nós temos, e acima de tudo teve nele o nome da Codemasters, que criou verdadeiras obras primas nos anos recentes. Só esqueceram de avisar para esses mesmos mestres do código que Fórmula 1 é muito mais complexo que um jogo que apenas tem vários carros ou pistas. Recriar o ambiente, recriar uma corrida de F1 e ainda tornar tudo isso agradável e emocionante é para poucos.

A expectativa é de que seja lançado um patch em breve para corrigir alguns dos 314797 bugs de F1 2010. Se nesse patch eles corrigirem o sistema de controle para joypads, posso voltar atrás, mas até agora F1 2010 foi na minha opinião a decepção do ano. Inclusive, ao contrário de todos os outros 23 jogos de Fórmula 1 que tenho aqui em casa, esse eu colocarei a venda no Mercado Livre, aguardando que algum outro comprador tenha melhor sorte com ele do que eu.

"Sai da frente que eu to saindo!"

Uma última crítica vem ao modo de carreira. Ao invés de realmente analisar o desempenho do jogador, em F1 2010 você recebe uma missão (“Terminar em 18º”) e se não cumprir, não importa o que tenha acontecido na corrida, você perde pontos com seu time. Ultrapassou o Alonso, fez 5 voltas rápidas seguidas, humilhou a concorrência mas um pneu furou (o que não é difícil) na última volta? Azar o seu. O diferencial está agora que se você bater em algum carro ele será vingativo com você depois. E só.

Para quem ainda quer conhecer uma experiência de Fórmula 1 autêntica e envolvente, recomendo Grand Prix 4, de Geoff Crammond. E se alguém te disser que F1 2010 é muito melhor em todos os aspectos, basta dar uma olhada na simulação dinâmica de chuva e no mapeamento de ambiente nos carros que parecem ser destaque em “F1”. GP4 fazia tudo isso há quase 10 anos.

Pontos positivos:
– Todas as novidades da temporada 2010 perfeitamente recriadas
– Audiovisual de assustar, excelente
– Modo carreira incentiva a continuidade de jogo

Pontos negativos:
– Excesso de bugs e AI maluca
– Controles incontroláveis para quem não tem volante
– Muitas firulas, pouca imersão real no ambiente de corrida.

Conclusão:
– A Codemasters entrou num território onde a perfeição requer muito mais. E eles não conseguiram dessa vez.

(Créditos das imagens: GamersHell, SimRacingWorld, PlayFrom, Codemasters)

Rafthehay,
Prefere esperar por GT5 agora.

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comentários
  1. Gustavo disse:

    O que eu gostei mais no seu review foi o fato dele ser o único que eu vi (e eu li uns 6 desse jogo) que apontou os erros e falou como eles impactam na experiência de jogo.
    Mas esse jogo pode ser visto de maneira positiva se você considerar que o sucesso dele garantiu uma continuação que espera-se que traga melhorias em todas as áreas. Isso também faz com que a área de jogos de F1 seja revivida, assim como Street Fighter IV fez com os jogos de luta.

  2. Cheferson disse:

    Achei o jogo muito confuso. Primeiramente, o próprio menu é uma confusão. Sou do tipo de jogador que gosta de praticidade. Quando entra o jogo na primeira vez, tem uma entrevista com a imprensa que é chata, tediosa e não há como pular a introdução.

    Feito isso, o jogo entra num menu um pouco confuso também.

    Os gráficos do jogo são perfeitos demais, os efeitos sonoros também. O que achei legal é você dentro do carro no pit, olhando no monitor as características do circuito e do carro.

    O que estragou também é que eu configuro para jogar em 2 joysticks que o Windows detecta automaticamente. Porém, o jogo, na hora em que a corrida começa, os controles simplesmente NÃO FUNCIONAM. Testei outros jogos e emuladores no meu pc e o controle funciona normalmente. Detalhe: o jogo detecta o controle, mas na hora de jogar na corrida….

    Acho que eles se concentraram demais em fazer um jogo com gráficos brilhantes, mas esqueceram do principal: a jogabilidade e a interface do jogo.

    Porque não fazem um menu simples, tipo da série Gran Turismo por exemplo? É só colocar um menu 2D mesmo assim: Corrida Rápida, campeonato, modo online, opções, salvar, carregar, sair. ….. funções básicas e simples….

    Outro detalhe é que o jogo não se define se é arcade ou simulação. Eu prefiro arcade, mas dai é outro detalhe.
    Francamente falando, o F1 2006 da Sony para o PS2 tem uma jogabilidade e funcionalidade muito melhor que esse 2010…

  3. john disse:

    concordo com tudo oque foi escrito nesse review. esse jogo foi só mais um de muitos que estão aparecendo por ae. graficos lindos , audio de impressionar e só…..simulação igual de gp4 acredito eu que será muito difícil aparecer no mercado.

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