Análise: Angra — Aqua

Publicado: 03/10/2010 por Gustavo em Análises, Música
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Os últimos anos não foram bons para os fãs do Angra; o grupo ficou quatro anos sem lançar um CD e passou por brigas internas que ameaçaram acabar com a banda. Porém, o Angra passou por uma reformulação, tanto empresarial quanto de formação  e, no final de agosto, lançou o seu sétimo álbum, Aqua. Será que o novo álbum conseguiu trazer de volta todo a técnica e pegada brasileira característica da banda? Uma coisa é certa, ele está fazendo muito sucesso no Oriente (sério!).

A banda

O Angra é uma banda brasileira de power metal e metal melódico, um gênero do metal caracterizado por vocais líricos, muita técnica e velocidade. Conhecidos por fazer mais sucesso no exterior que no Brasil (e por seus fãs sempre pedirem por “Carry On!!!” nos shows), além de ter fãs entre o público jovem e até frequentadores de eventos de cultura japonesa por causa do vocalista Edu Falaschi. Ele cantou a primeira abertura da versão mais recente da dublagem de Cavaleiros do Zodíaco (Pegasus Fantasy) e virou uma espécie de embaixador da banda nesses eventos. Ele foi em todas as edições da Otacon DF aqui em Brasília e, em julho desse ano, se apresentou com o Angra no Animefriends, um show que eu tive o prazer de ir com o Estêvão, Marcelo e Guilherme.

 

Sim, eles tocaram "Carry On".

 

 

Após o que é considerado o melhor álbum da banda depois da saída de Andre Matos em 2000, muitos fãs ficaram decepcionados com o som pouco elaborado e até experimental de Aurora Consurgens (2006), cujas músicas foram baseadas em sonhos e diferentes estados mentais. Isso levou a um número baixo de vendas e uma crise que culminou com a saída do baterista Aquiles Priester (mas ele não era uma pessoa tão boa, minha amiga disse que ele namorou uma amiga dela mesmo ele sendo casado… ok, chega de fofoca). Em seu lugar, entrou Ricardo Confessori, que já havia sido baterista da banda de 94 a 2000, quando saiu junto com Andre Matos para formar o Shaaman.

O álbum

Aqua foi baseado no que é considerada a última peça atribuída a Shakespaere: “A Tempestade”, cujos temas são: romance, vingança e magia, apesar de não contar uma história que une as faixas, como o Temple of Shadows (2004). A pré-produção foi realizada num sítio isolado, recriando as mesmas condições em que um dos melhores álbuns da banda foi criado, Holy Land (1996) e é indiscutível que a banda conseguiu resgatar os sons complexos e o toque brasileiro em composições que lembram peças orquestrais, o que fez falta no lançamento anterior.

O som do disco é um dos menos pesados do Angra, aproximando-se do Rebirth (2001),  mas mantém a força,  assim como o metal deve ser e, ao contrário do Aurora Consurgens, o fã irá reconhecer a identidade do Angra nas músicas do Aqua, mesmo que não sejam tão complexas como as do Rebirth. Talvez por isso o CD seja um dos mais fáceis de ouvir do Angra, pois, mesmo mantendo a complexidade e técnica características da banda, as faixas podem ser apreciadas sem a necessidade de escutá-las várias vezes ou com muita atenção. Aqua apresenta um som que agrada facilmente.

Destaques

  • Arising Thunder — mantendo a tradição das músicas principais de cada CD (de novo, outra coisa que não teve no Aurora Consurgens) essa música é precedida por uma faixa instrumental introdutória e, apesar de não ser tão épica quanto Nova Era ou Spread Your Fire, é aquela que você tem que decorar para cantar junto no show. Você pode ouvir seus riffs poderosos, ou melhor ainda, jogar na página oficial no GuitarFlash.
  • Awake From Darkness — riffs que lembram música clássica, melodia épica e ritmos brasileiros. Essa música representa a essência do que o Angra é.
  • Lease of Life — a maioria dos CDs do Angra têm uma balada, a do Aqua é essa. Essas baladas não costumam ser as melhores músicas do CD, ficando até um pouco comerciais, mas Lease of Life é uma excelente composição que se encaixa bem no CD.
  • Spirit of the Air — música com um belíssimo violão e coros que a deixam com um som misterioso.
  • Ashes — fecha o CD com um som incrível e épico que lembra composições para jogos de videogame.

Finalizando

Aqua é o retorno do Angra ao seu som característico que conquistou diversos fãs com muita técnica, velocidade e excelentes vocais. Ainda assim, o CD apresenta um som novo, podendo-se perceber a evolução que a banda passou com o tempo. Edu Falaschi tem tido melhoras incríveis em sua técnica vocal e, enquanto que comparações com a época de Andre Matos sempre irão existir, é possível dizer que a formação atual do Angra se encaixa muito bem.

Pontos positivos

  • A qualidade do som nunca esteve tão boa num CD do Angra
  • Fácil de escutar, mas sem comprometer a complexidade
  • Boa integração de ritmos brasileiros
  • Composições de ar positivo, ao contrário da melancolia de Temple of Shadows
  • Traz de volta o som característico do Angra sem deixar as inovações de lado
  • O encarte traz as letras das músicas e de forma legível
  • Não há nenhuma música fraca no CD

Pontos negativos

As músicas, apesar de empolgantes, não têm o mesmo feeling que as do Rebirth ou Temple of Shadows

Conclusão

O fã que ficou decepcionado com o Aurora Consurgens deve comprar o Aqua, que apesar de não ter nenhuma música com o potencial para se tornar um dos hinos da banda, possui composições com tudo que o Angra tem de bom. E se você tem interesse em power metal, no estilo de Dream Theater ou Blind Guardian, não pode deixar de conhecer essa banda brasileira de muita qualidade. Aqua é um dos melhores álbuns para se começar.

Onde comprar

Loja Online da FNAC R$ 21,60 + frete
ou qualquer loja de CDs com um acervo grande

Angra — Aqua
Voice Music
10 faixas — 49 minutos
Power metal

Gustavo
Já fez coro para o Shaaman tocar Carry On no show… eles não tocaram


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comentários
  1. rafthehay disse:

    Gosto bastante da arte das capas do Angra. Muito bom saber que eles melhoraram em relação ao Consurgens, mas só quando resgatarem o feeling mesmo que acho que vou parar pra ouvir. Adoro Holy Land e Temple!

  2. Moacir Vespasiano disse:

    Que é isso! O CD é bom, mas daí a ser melhor que outros como Angels Cry e Holy Land… eu em?!

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