Análise: Linkin Park – A Thousand Suns

Publicado: 25/09/2010 por rafthehay em Análises, Música
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A capa já adianta a viagem que é o álbum.

Dez anos depois do arrebatador Hybrid Theory, qual é o resultado de dois anos de trabalho de estúdio de uma das bandas que marcou uma geração? Aproveito meu retorno ao blog (eu tinha IDO?) para analisar esse lançamento do Linkin Park!

 

A banda

Linkin Park. Uma banda de tanta presença no cenário do rock internacional que conquistou legiões de fãs em todo o mundo com músicas tão bem escritas que, apesar de repetitivas, possuem excelente fluxo, melodia e… bem, são catchy!

Quem me conhece sabe que eu fui exatamente um daqueles mini-emos que ouvia Crawling a toda altura e cantava junto os versos depressivos que misturavam rap e gritos. Hoje em dia, meu interesse pela banda não diminuiu nem um pouco, mas ouvir outras coisas (e bota outras nisso!) não só abriu meus horizontes para percepção musical, como me fez compreender um pouco mais dessa própria banda.

Tão rotulada de “comercial”, “sellout”, ou de não-original, a verdade é que a música desses americanos agradou a públicos muito diversos. As músicas com estrutura praticamente pronta para exibição em rádio ou na TV se tornam um prato cheio para music videos. As letras de temas universais e o rock “pesado-mas-não-tanto” fizeram de Linkin Park uma “porta de entrada” para pais ou adultos chatos que perceberam que nem todo rock é injetar drogas inimagináveis, cultuar o demônio e desperdiçar a vida.

Assim sendo, depois do grande sucesso de Hybrid Theory (In the End, Crawling, One Step Closer…), tivemos o Meteora. Numb, Faint, Breaking the Habit, Somewhere I Belong…. precisa falar mais?

Entretanto, com Minutes to Midnight a coisa começou a mudar. As músicas ficaram mais calmas, com uns leves surtos de screamo, mas o CD produzido por Rick Rubin não possuía atmosfera, não envolvia o ouvinte. De longe o pior CD dos caras até agora, mas… e A Thousand Suns?

O álbum

Mike Shinoda abre o encarte de Thousand dizendo que esse CD é algo que quebra completamente a tradição da banda. É uma tentativa de produzir algo sem o mínimo intuito comercial, pura e simplesmente a “música-arte” do Linkin Park. Como resultado, o álbum traz 15 faixas que intercalam músicas e fillers um tanto atmosféricos. A Thousand Suns é um álbum para se curtir em linha, sem pular um filler sequer.

O som dos caras é uma grande evolução de Minutes to Midnight. Aquele som seco e sem inspiração foi deixado de lado, e agora traz uma profundidade que surpreende até o mais ávido fã da banda. As músicas estão mais longas, as estruturas estão menos comerciais, com longas introduções e momentos com grandes distorções sonoras e interferências que fazem o ouvinte crer que esse CD é uma relíquia que veio de um futuro cyberpunk.

E é como cyberpunk que eu descrevo esse CD. Que nem o do Scorpions? Não. A Thousand Suns não possui o elemento retrô de Humanity: Hour 1, é uma viagem de sons e barulhos futuristas, com vocais que vão e vem, guitarras que se tornam verdadeiros sintetizadores e, acima de tudo, a fuga completa do gênero musical. Ouvir A Thousand Suns é entrar num pequeno mundo criado pela banda, um mundo que dura 50 minutos mas que é muito envolvente.

Por se tratar de um álbum altamente experimental, muitas das ideias apresentadas podem afastar na hora aqueles que procuram ouvir uma “roupagem 2010” de In the End. O Linkin Park mudou, está mais sério, menos poser, e mais ousado musicalmente.

Destaques

The Requiem – Um filler que já adianta o que vem de melhor da última faixa. De fato é muito bom de ouvir.
Burning the Skies – Com um som um tanto Moby, o álbum abre com uma música leve e envolvente
When They Come for Me – Excelentes harmonias vocais, e um som bem industrial
Waiting for the End – Uma música mais LSD com linhas de rap exóticas!
Blackout – Sentiu falta da gritaria? Aqui está. E só aqui.
Wretches and Kings – Uma música emputecida com o futuro, com um ar industrial que lembra os tempos de Linkin Park antes da banda ter esse nome. Um óitmo equilíbrio entre Mike Shinoda e o refrão melódico de Chester.
The Catalyst – Muitos viraram a cara pra essa música, outros piraram com ela. Altamente love-or-hate, Catalyst é uma faixa muito intensa, que sintetiza toda a proposta de Thousand Suns. O som eletrônico pode parecer um turn-off, mas é nessa música que você vê toda a banda trabalhando com tudo. E que trabalho! Ah, me lembrou por alto um pouco de Limp Bizkit. Requisito: ouvi-la MUITO alto.

Como brinde, aqui o clipe muito bem produzido da música de trabalho do CD:

Finalizando

Se você espera do Linkin Park aquele som de sempre, não é nesse CD que você vai encontrar. Esse CD é muito maduro, feito para ser degustado com atenção e paciência. Aqueles que se dedicam a ouvir música assim, serão recompensados com uma experiência altamente imersiva e interessante. Não é o tipo de CD que você vai deixar no som do carro repetindo todo dia. A menos que você seja um fã. *cough*

Pontos positivos
– Obra-prima de pós-produção, muito atenção a detalhes
– Atmosfera envolvente
– Vocais líricos inesperados e muito interessantes

Pontos negativos
– Possui pouco em comum com os trabalhos anteriores
– Não é “comercial o bastante” para se ouvir com outras pessoas ou deixar numa festa tocando
– Os raps poderiam ser melhores

Conclusão
Coloque o fone, aumente o som, e feche os olhos, se você gosta de se dedicar à música eletrônica/rock.

Crédito das fotos e vídeo: Linkin Park

Rafthehay,

Feliz em voltar. Escrevi muito?

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comentários
  1. harrysickboy disse:

    Grande Volta de RAF !!

  2. Gustavo disse:

    Realmente, ótima análise, como sempre.

    Engraçado que eu não gostava do estilo nu metal do Linkin Park daqueles tempos, mas eu passei a apreciar depois que esse gênero meio que morreu.

  3. paulo disse:

    bom é ate legal mais senti um pouco falta de musicas do tipo numb,new divide ou in the end ou até mesmo a place for my head mais de qualquer jeito eu gostei

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