Análise: Scorpions – Humanity: Hour 1

Publicado: 26/02/2010 por rafthehay em Análises, Música
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O que acontece quando se junta um ícone do Hard Rock dos anos 80 com uma temática cyberpunk bem trabalhada? A resposta é o álbum Humanity: Hour 1, uma visão de um mundo futurista de uma maneira que você nunca (ou)viu.

A banda

Você conhece Scorpions, não finja que não. Na ativa há algumas décadas, o grupo alemão liderado por Klaus Meine fez história com batidas pesadas e baladas românticas, e suas músicas tocaram em tudo que é rádio, televisão e filmes por um bom tempo.

Infelizmente, por experiência pessoal tem gente que acha que Scorpions é uma banda só de musiquinhas românticas. Ainda no tempo da escola, ouvi uma garota dizer que Scorpions é banda de gay. Provavelmente ela era uma dessas posers que ouviu “Still Loving You”, viu os caras da banda com jeans colado (comum nos anos 80) e disso tirou esse conceito do Scorpions. Bem, a música dos caras é boa sim, gente de todo tipo ouve,  e se sua orientação sexual depende das bandas que você ouve e do que falam delas, aí o problema é seu.

Voltando à banda, se quiser conferir o som dos caras antes de “Humanity” sugiro músicas como “Big City Nights”, “Rock You Like a Hurricane”, “Holiday” e “Love ‘em or Leave ‘em”. Tem no You Tube!

O álbum

Como já disse lá em cima esse álbum é uma experimentação da fusão de hard rock com uma temática futurista. Fugindo dos padrões de música eletrônica, hip hop ou metal, “Humanity: Hour 1”  mescla solos com feeling, bases fortes e riffs marcantes.

Para esse álbum, Desmond Child e Liam Carl ajudaram na conceituação de uma história sobre o futuro da humanidade, e essa coisa de máquinas, andróides, e a devastação da noção de “humanidade”, convocando o ouvinte a uma mudança. Ouvindo as músicas em separado, pode-se tomá-las como apenas canções sobre amor e revolução, mas no conjunto da obra, ouvindo em ordem e com as letras afiadas, o conceito do álbum se torna evidente, e músicas que pareciam apenas baladas românticas (como “The Future Never Dies”) ganham outra dimensão.

Já de começo, três faixas que estouram a boca do balão. “Hour 1” tem uma batida muito marcada, quase militarizada, e um som literalmente alarmante que o acorda para a realidade do álbum. “The Game of Life” e “We Were Born to Fly” são pesadas mas melódicas, e trazem uma espécie de diálogo entre um humano e alguma entidade artifical (Blade Runner anyone?). Nessas duas últimas, o vocal de Klaus Meine e os excelentes backvocals são destaque.

“The Future Never Dies” é uma balada das melhores, com pianos, solos e um final arrebatador, que o leva para duas faixas de puro rock que o transportam para uma espécie de show no futuro, alienado pela música. Destaque em “321” para o solo rasgador.

As demais faixas do CD alternam entre melodias leves, acústicas, e solos bem trabalhados (“We Will Rise Again” é sadomasoquistamente metafórica). Isso até o final de “Love is War”, quando entra a dupla final, “The Cross” e “Humanity”.

“The Cross” é de longe a melhor faixa do CD. Exalando desespero em cada nota, a letra e a música formam uma atmosfera intensa, mas sem perder o ritmo “roqueiro anos 80” da banda alemã. A parada no meio da música carrega muita tensão, que é liberada de vez com intensidade. Os vocais femininos dão um toque extra especial. Vale a pena ouvir essa faixa, seja na ordem do CD ou em separado (Na ordem dá pra aproveitar melhor a evolução da música).

Já “Humanity” é um ato final que consolida toda a atmosfera do CD. A introdução é 100% Scorpions, e a música se constrói de maneira interessante, lembrando a abertura “Hour 1”, mas não carrega metade da intensidade de “The Cross”. O final é interessante, e lembra aquele conceito “anos 60” que vemos em obras futuristas como o game “Fallout”. Uma dica importante: Não veja o clipe dessa música, que além de matar a melhor parte da música e o final, é visualmente horrível, sem energia nenhuma, e com um 3D que… bem, deveria fazer a banda se envergonhar.

Finalizando

“Humanity: Hour 1” é um álbum tão bem feito que pode ficar um bom tempo no CD-Player, não enjoa fácil. É hard rock de verdade, daqueles pra aumentar o som e fazer air guitar no quarto. O vocal de Klaus Meine, apesar de agudo, se encaixa bem no estilo, e no fim das contas você vai perceber que nesse álbum o Scorpions conseguiu um feito: Fez rock estilo anos 80 em pleno século XXI, sem parecer batido, besta, plágio, ou algo assim. É música contemporânea MESMO.

Ah, em março a banda vai lançar seu último álbum, “Sting in the Tail” (inicialmente seria Humanity: Hour II) antes da aposentadoria (Afinal, 17 álbuns!). O álbum será um ode ao rock, e vai contar com participação da ex-Nightwish Tarja Turunen! Fiquem ligados para a análise assim que eu comprar (e ouvir) esse!

Rafthehay,

Ainda compra CDs nos dias de hoje.

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comentários
  1. Gustavo disse:

    Wow, gostei do conceito do CD! Eu adoro álbuns como uma história ou temática bem definida, como o Temple of Shadows do Angra.

  2. Rebeca disse:

    Nossa, adoro Scorpions!!!!!! Mas ainda não ouvi esse álbum, preciso urgente ver de qualé! =D

  3. Willian disse:

    Nossa, vcs estão de parabéns !!! Sou fanático por Scorpions e sinceramente nunca tinha visto uma análise tão bem feita….

    Tbm não gosto de quem julga Scorpions apenas pela “Still loving you”.

    Parabéns !!!!

  4. voses scorpions sao komo vinho do porto quanto mais velhos entre aspas! melhor voces fazem! parabens continuem

  5. Marcos Douglas disse:

    Aí cara me amarro no Scorpions, nao vejo a hora de ouvir esse album.Scorpions é sem dúvida uma das melhores bandas de hard rock do mundo.

  6. Felipe dos Santos disse:

    Análise fantástica. Parabéns, garoto. Sou fã de Scorpions e a evolução musical com todos esses adereços abordados são de extrema relevância e preponderante para esse progresso. Que pena que estão em turnê de despedida, mas ainda alimento o sonho de pelo menos ouvir pessoalmente o Klaus entoando a voz.

    • rafthehay disse:

      Felipe, agradeço seu comentário! Já faz algum tempo que não escrevo para esse blog, mas gostei de ver que o texto ainda é lido e empolga. Realmente, é uma pena ver que eles estão de despedida, mas acredito que a banda está “saindo por cima”, sem aquelas historinhas e dramas de troca de integrantes que bagunçam tantas bandas de rock. Abraço!

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