What the fu-rry!

Publicado: 19/02/2010 por rafthehay em Coisas da vida
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Furries vs Klingons no boliche. Precisa falar mais algo?

“Não, Rafael, porque você foi colocar um tópico sobre esse assunto no blog! Aqui é um lugar de família!”

Eu entendo, mas acho que por isso mesmo é interessante falar sobre essa subcultura: serve tanto de esclarecimento sobre algo que tem seus pontos legais, quanto para alertar as crianças sobre os “sites com bichos falantes” que se esgueiram pela internet. Mas afinal, o que É furry?

“Ah, é algo que tem pelos!”. Tá, e Final Fantasy foi a “última fantasia”, claro. O termo furry designa uma subcultura que encontra na internet seu maior número de adeptos. O termo remonta à convenções de quadrinhos e cartoons da 2ª metade do século XX, em que muitos artistas versavam sobre personagens antropomórficos (animais ou objetos que assumem características humanas). Ou seja, antes de sair flamejando alguém por ser um furry, admita que em algum ponto da sua vida (ou ainda hoje) você gostou de personagens como Mickey Mouse, Pato Donald, Swat Cats, Sonic, ou heck, até Thundercats!

Costuma-se falar sobre personagens antropomórficos evocando sempre a história das fábulas e da mitologia egípcia. A existência de animais ou seres que agem e se assemelham a humanos é uma constante na própria ideia do ser humano, na maneira como ele concebe sua percepção do mundo à sua volta. Que viagem…

Eles sempre estiveram entre nós!!!

Inicialmente, os interessados nessa cultura mais aficcionados se encontravam para discutir seus personagens preferidos, trocar umas ilustrações aqui e lá, e tudo mais. Mas a cultura “furry” que conhecemos hoje teve mesmo sua força adquirida com a chegada da Internet. Não se engane, não foi um daqueles movimentos que surgiu recentemente: O assunto chegava a aparecer até mesmo em BBS (você sabe o que é isso, né?)

Tá, é só um interesse, mas e daí?

A questão é que a coisa cresceu. Qualquer subcultura que se preze tem, por exemplo, convenções. Furries também fazem convenções (algumas com trocadilhos horríveis no nome, como “Further Confusion”. Sacou?), a maior parte delas na terra dos gostos estranhos, os EUA. Mas não é só isso. Quer seja pela “discriminação” ou pela vontade de fazer parte dessa cultura, o mundo dos furries inclui também sites de leilões, wikis, sites de arte (um equivalente do deviantART), uma infinidade de fóruns e chats, editoras que publicam conteúdo furry, ilhas no Second Life, e muito, MUITO mais. Pegue qualquer serviço ou produto, coloque “fur” no nome, e você tem uma segmentação de mercado própria.

Um bom furry que se preze frequenta alguns desses sites, usa emoticons e participa de RPs com seu personagem criado à sua imagem e semelhança, numa versão animal: seu “fursona” (de “persona”, isso mesmo). A regra é simples, basta escolher um bicho que você gosta e tacar nele as suas características pessoais. Alguns vão mais longe e confeccionam roupas que o caracterizam como seu fursona na vida real. Cosplay? Isso é coisa de otaku! Furries possuem “fursuits”.

Duncan Roo, um furry famoso, em sua fursuit. Deve ser QUENTE lá dentro.

Os furries ficaram conhecidos em boa parte do mundo por coisas como a famosa campanha “free hugs”. Você já deve ter visto alguém vestido de bicho querendo dar abraço nos outros.  Já outros furries se disfarçam de desenhistas e vão trabalhar na Disney.

Mas o que acontece quando você junta centenas de milhares de usuários de internet, dotados de nicknames, num interesse comum? Problemas à frente…

Olha que legal, eu adorava assistir esse des– NÃO!!!!

(Cuidado, links ALTAMENTE NSFW)

Hoje em dia ser chamado de furry pode ser comparado a ter a mãe xingada, ou ter todos os seus “equips” roubados em algum RPG online. A palavra não soa legal, claro, mas a fama dos furries cresceu mesmo foi na internet, e de maneira extremamente negativa.

A parte desfocada mostra coisas que animais não deveriam fazer. Não assim!

A internet costuma dar margem a pessoas que tem problemas em expressar interesses e frustações da vida real, e em nenhum lugar isso é mais evidente do que no “furdom” (“fandom furry”, that is). Muitos, mas MUITOS furries tem fixações de caráter sexual com personagens antropomórficos, e expressam isso principalmente por meio de desenhos e de histórias, publicadas em diversos sites. Os gostos são dos mais estranhos, começando pela clássica zoofilia, mas evoluindo de maneira deprimente a interesses que é difícil de acreditar. Palavras como microfilia, macrofilia, voreofilia, inflação (hein?), “c*** vore”, “a*** vore”, scat, herpetofilia, podofilia (com “o” mesmo, de pés patas), e até mesmo algumas criminosas, todas fazem parte do vocabulário de qualquer site pornô, mas ganham uma dimensão muito maior no universo furry.

Talvez o maior problema seja esbarrar em algum conteúdo desse tipo. É triste, muito triste ver aquele personagem que você curtia na infância fazendo coisas que você queria que só acontecessem a seus piores inimigos (ou nem isso…). Sabe, chega num ponto em que dá pra sentir que tá rolando alguma coisa de psicologicamente errada. Se Freud estivesse vivo, não durava 5 segundos num antro de pornografia (trocadilho!) como o FurAffinity. A coisa cresceu de um jeito que hoje em dia é simplesmente perigoso procurar qualquer coisa relacionada a furries na Internet sem sentir sua mente ser violentada por imagens atrozes. O pior é que tem alguns desenhistas excelentes, que fazem tudo com nível de detalhe perfeito (pelo menos dá pra admirar a noção de desenho do cara), e a maioria que parece desenhista de 5 anos de idade (pelo menos dá pra ver pouca coisa, mas ainda assim te deixa triste com o futuro da humanidade).

Outra recorrência comum nesse meio é a existência de amplo conteúdo homossexual. Provavelmente deve ter algo a ver com o anonimato que a internet proporciona, mas eu não vou abordar esse assunto aqui.

Nem tudo está perdido (ainda)

Onde há um pirata, há uma esperança. Em último caso, tem o rum.

Mas não é todo mundo que desenha personagens antropomórficos que se tranca no banheiro com um catálogo de leilão do haras. Existem excelentes desenhistas, histórias, e até séries animadas que vemos hoje em dia que ainda mantém aquele ar de coisa legal que trazemos da infância, e algumas que tratam de temas mais maduros (histórias policiais, romances e etc.) de maneira adulta, mas que trazem personagem antropomórficos pela sensação de “fantasia” e pela capacidade expressiva (oriunda dos cartoons e da mitologia) que esse tipo de personagem tem. Inclusive é um trabalho a admirar, pela excelente mistura de elementos tão contrastantes.

Por esse motivo, hoje em dia é comum você ver alguém falando que desenha ou escreve sobre “anthro” (de antropomórfico), uma maneira de falar que gosta desse tipo de personagem/cultura, mas que não se associa à esse universo que acabou por ganhar uma conotação negativa ao longo dos último anos. Este que vos fala, particularmente, costuma falar mal de “furries”, mas tem seu interesse pelo assunto. Só é chato esbarrar em algo como o que foi citado lá em cima. Dá uma sensação de desgosto…

No Brasil

Aqui no Brasil essa cultura é bem menos disseminada, entretanto já existem grupos formados, marcando encontros nacionais e tudo mais. Os furries já deram a cara no Fantástico (uma excelente reportagem), num clipe do Detonautas, e são presença constante em jogos de futebol, na forma de mascotes.

Finalizando

O universo dos furries é conhecido por ter pessoas que se expressam bem, de maneira alegre e tal, e isso pode ser visto em ações públicas e tudo mais. Existem excelentes desenhistas, escritores e até mesmo músicos, mas o anonimato da internet dá margem à existência de conteúdo altamente deplorável. Claro, sempre tem quem goste, e gosto não se discute, mas a maneira doentia como acontecem algumas expressões chega à margem da legalidade (sabe, crime mesmo!).

Por isso, se você tem algum interesse no assunto (o que é bem normal, diga-se de passagem), a internet tem conteúdo muito interessante, mas esteja mentalmente preparado para esbarrar em páginas que você NÃO quer ver. É triste, mas é assim que a banda toca.

Rafthehay,

Testou escrever “Backyardigans” na busca do FurAffinity, e se arrependeu amargamente.

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comentários
  1. Gustavo disse:

    Gostei da maneira que você abordou o assunto, não discriminou as subcategorias. Mas que negócio é esse de “furdeikard”!? :O

  2. marcosmorce disse:

    ficou massa o artigo. tem que divulga o blog pow!

    heheh

  3. Estêvão disse:

    Pessoalmente eu não tenho nada contra minorias.

    Exceto quando elas se organizam e começam a tentar fazer você sentir culpa, ter pena delas e assumir responsabilidade indireta pelos problemas delas.

    Eu já tenho uma mãe.

  4. Rebeca disse:

    Nossa senhora, o Rafa voltou até no Egito antigo! hahahahahah

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