Resenha: Afro Samurai

Publicado: 04/02/2010 por Estêvão em Análises, Anime e Manga
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Para os 4,3 fãs de anime daqui que se importam.

Saiu este mês a segunda parte de Afro Samurai. Um dos mangás de maior repercussão na mídia no momento. Com direito a adaptação para TV com voz de Samuel “Mothafucking Snakes” L. Jackson, 2 OVAs, brinquedos, camisinhas, chicletes, chaveiros, game, etc.

Como otaku inconstante, não sabia patavinas do que se tratava e decidi comprar os dois mangás para ver do que todo mundo estava falando. Indo direto ao ponto, digo que não fiquei muito satisfeito com os meus R$ 19,80 gastos. Dinheiro este que poderia ser melhor empregado em outras coisas…(como os 3 novos manhwas genéricos de capa branca com um cara com uma espada na capa, ou meia dúzia de peixes no palito).

Para dar vazão a minha frustração vim aqui reclamar publicamente (a.k.a. escrever uma resenha) e ver se ao menos deixo algumas almas melhor informadas sobre o que estão comprando.

A primeira coisa que vemos numa HQ são os desenhos. E vou dizer, os desenhos de Afro não são muito amigáveis aos olhos.

Não que o autor desenhe mal. Para falar a verdade, a capa do primeiro volume me animou na compra. O problema são os quadros. O criador insiste em desenhar personagens cinza-escuro contra um fundo preto. Sem falar da aparente preguiça doTakashi Okazaki. Das mais de 150 páginas do Vol. 1, devem ter umas 5 com cenário de fundo desenhado. O resto é puro pano preto.

Fica tudo muito confuso e difícil de acompanhar, deixando os quadrinhos totalmente incapazes de transmitir seja lá o que está acontecendo depois que os personagens desembainham as espadas. É como uma obra modernista no sentimento provocado de: “E o que eu deveria estar vendo aqui?”.

Típica cena de Afro Samurai

Eu pulei páginas inteiras por que já havia desistido de espremer a vista para entender que diabos estava acontecendo. E olha que eu lia Blade of the Immortal.

E a história, me perguntam?

Que bom que ao menos a história é salva por um enredo complexo com personagens memoráveis e bem desenv…ppppffff HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA. Até parece….

Uma das perguntas básicas para se entender um personagem é: “Qual a sua motivação?”
A motivação de Afro, nosso protagonista? Vingar a morte do pai.

…Órfão buscando vingança, sério? Porra! De cabeça dá para falar mais de 20…

Praticamente não há história além do batido “porrar o próximo cara até chegar no manda-chuva”.

Mas vamos lá.

A premissa é que num Japão futurista, mas ainda feudal, existe uma faixa que dá a seu portador o título de “Número 1” (pois é…) e poderes quase divinos. Para conquistar a faixa, só matando o dono, mas apenas o “Número 2″(pois é…) tem esse direito. A desvantagem é a qualquer momento qualquer um pode desafiar o Número 2 pela sua faixa.

(Incidentalmente resolvi me propor o desafio de passar esse post inteiro sem fazer piadas com eufemismos para funções corporais.)

A história começa com o flashback da morte do pai do Topete, o antigo Número 1. Segue-se uma rápida batalha contra assassinos com Chanel já crescido, agora portador da faixa “Número 2” e em busca do assassino de seu pai, o atual número 1.

Até então nada que realmente empolgue. As cenas de luta obscurecidas já começam a incomodar. Pontos pelo sangue vermelho pintado por cima dos desenhos, que faz contraste com o preto e cinza dominantes, ficando um efeito bem legal.

Depois temos o Moicano matando um ex-assassino na frente do filho (santa ironia) e mais outra luta contra assassinos no meio de uma balada com direito a DJ. Encerra o vol. 1 uma luta contra centenas de assassinos.

Caso estejam se perguntando: Não. Além do complexo de protagonista órfão, mullet não tem uma bronca especial contra assassinos (considerando que seu pai foi assassinado, nada mais natural). É só algo comum em histórias de anti-heróis em que o autor, para ganhar simpatia dos leitores, faz com que os adversários sejam tão ou mais abomináveis que o protagonista. Neste casos ele só não teve muita imaginação para vilões (como evidenciado pelos hexa-gêmeos no fim do vol. 1).

O Vol. 2 começa com Chapinha se recuperando de seus ferimentos numa vila de ex-assassinos. Após a matança obrigatória, relembra uma tragédia da juventude, enfrenta um velho amigo e se dirige às montanha onde reside o “Número 1” para o confronto final. Fim.

Ah, tem um cara com cabeça de ursinho de pelúcia também.

A história é fraca. Ponto. Cena de luta após cena de luta ligadas por uma desculpa de história. No último volume o autor até que passa a pegar bem mais leve com os fundos pretos e a ação desmiolada. Minha birra com o protagonista, Rabo-de-cavalo, continua. O samurai com nome de corte de cabelo tem a profundidade de um dedal. Dreadlock não tem nada além de um penteado, uma espada, faixa do “Número 2” e uma genérica sede de vingança . Não há nada que nos faça ter interesse ou simpatia por ele.

Afinal quem é Franja? Quais são seus sonhos? Aspirações? O que ele faz quando não esta sendo emboscado por assassinos? Por acaso ele tem um gato chamado Schrödinger? Assiste Brazil’s Next Top Model, dizendo para si que é por causa das gostosas de calcinha, mas agarra a poltrona de antecipação nas eliminações? Kirk ou Picard? Ele tem algum hobby?

Teste rápido. Façam a si próprios a seguinte pergunta:

“Se a história não fosse sobre um samurai de afro, você continuaria interessado?”.
Aí está.

Afro Samurai é o típico exemplo de “estilo ao invés de substância”, com uma histórica genérica, personagens apagados e muita ação confusa.

Pois é otakus socialmente ineptos, um mangá “irado”.

Estêvão
Já ficando sem ideias para nomes de penteados


Afro Samurai,
Vol. 1 e Vol. 2. R$ 9,90 e 168 páginas cada
Editora Panini.
Indicado para maiores de 16.
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comentários
  1. Gustavo disse:

    Hahahahahaha, muito boa a resenha!

    Ah, esses peixes no palito são bons? =O

  2. rafthehay disse:

    Hm… talvez eu lesse se fosse sobre ninjas ao invés de samurais. Boa resenha!

  3. Rebeca disse:

    Gostei da resenha também! =D

    Afro Samurai nunca me interessou muito. Vi um clipe do desenho uma vez, achei legalzinho e só. xD

  4. literativa disse:

    que bom que passei batido e comprei um pastel + caldo de cana… ^^;

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